terça-feira, 29 de junho de 2010

LISTA DE ERRATAS

Eu sabia que seria apenas uma questão de tempo entre eu publicar uma maldita lista e me arrepender dos nomes esquecidos... Na minha lista de guitarristas por exemplo, é claro que isto aconteceu.

Carlos Santana eu sequer citei na lista de injustiçados o que torna o guitarrista americoxicano duplamente injustiçado. Ainda que eu ache o som dele um pouco repetitivo existe um grande número de ótimos momentos, e esses dias mesmo eu escutava duas música de uma colaboração sua com John Lee Hooker, e ficou simplesmente fantástico.

Ry Cooder também merecia uma lembrança, seu trabalho no slide é bastante delicado e inspirado. Quando citei o fiel escudeiro de Keith Richards, o stone mais novo Ronnie Wood, esqueci de mencionar seu trabalho brilhante com os Faces, Sweet Lady Mary tem um trabalho magnifico de lap steel e Stay with Me é rock'n'roll irrestível... Os dois guitarristas da segunda formação dos Black Crowes, Marc Ford, guitarrista solo, e o irmão fundador Rich Robinson são de chacoalhar o esqueleto, responsáveis pelo som na melhor fase da banda, assim como o novo guitarrista solo, Luther Dickinson, que tem uma abordagem um pouco mais country.

Marc Ford tem um trabalho lindo no disco de gospel que Ben Harper gravou com os Blind Boys of Alabama, o que já me lembra outro nome esquecido, Ben é um exímio guitarrista, principalmente no slide, e o público brasileiro o conhce muito bem pela lindo dueto com Vanessa da Mata em Boa Sorte/Good Luck.

Mas o que eu mais me arrependo de ter esquecido é o irlandês Rory Galagher, guitarrista quase obscuro que era capaz de tocar gaita e slide simultaneamente (e ainda cantava). O álbum póstumo Rory foge um pouco ao seu estilo original mas traz momentos acústicos belíssimos.

Alguns nomes do Jazz também poderiam merecer uma citação, Wes Montgomery, Charlie Christian e o cigano Django Reinhardt, mas não é a minha praia. Gosto muito de George Benson, que se rendeu ao pop com muito estilo e o "pianista" Stanely Jordan, que desenvolveu uma técnica única e cuja interpretação de Eleanor Rigby é de arrepiar...

Entre os brasileiros, gosto muito de Davi Moraes que deve ter tido umas aulinhas com o pai Moraes Moreira e o "tio" Pepeu; e John Ulhoa, que sabe como ninguém tocar com a linda e deliciosa voz da Fernanda Takai.

Espero não ter esquecido mais ninguém dessa vez...
[M]

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Será mago?

Imagino eu que no dia de hoje, ao redor do globo, um sem número de blogues deve estar falando sobre José Saramago... Destes, o que mais me deixa curioso é, como não poderia deixar de ser, a pena vadia. Até porque eu nem sou assíduo leitor de blogues e este é mesmo um dos meus favoritos. E lá vou a derivar do assunto principal...

Outro dia uma pessoa muito querida me pediu umas dicas de blues em português, que não fossem (é óbvio) os blues etílicos. Esquivei-me dessa com a desculpa de que blues e português não combinam, salvo momentos bastante pontuais (o Cartão Postal da Rita Lee é meu favorito...). Mas nada de esfarrapada tem essa desculpa, eu acho isso mesmo. A língua, ou, as línguas, têm um ritmo, uma cadência e uma sonoridade própria. Da mesma forma que samba em japonês costuma ser esquisito, blues em português também enrosca. Como também o rock em italiano ou em francês não me desce.

Mas há exceções. Mesmo que não entenda muito bem as palavras, o rap francês do McSolaar é melhor do que qualquer coisa que eu já tenha ouvido na sua língua original, bem como o blues-rock com sotaque flamenco de Jarabe de Palo me soa muito bem, como se estes artistas tivessem descoberto o viés comum entre sua língua falada e uma música que originalmente nasceu em outro ramo linguístico. O mesmo se pode dizer do uruguaio Jorge Drexler, que consegue encaixar perfeitamente o espanhol numa mistura de música (hispano-)latina, brasileira e pop-rock inglês.

Aqui mesmo nos trópicos ensolarados, terra do samba, da bossa-nova, forró, moda de viola e tantas outras diversidades, a musicalidade do rock também se encontrou com a nossa língua de maneira sublime em Raul e seus parceiros, Rita Lee, a turma dos anos 80 e, mais contemporaneamente, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Lenine, Vanessa da Mata, Céu... Bem, a lista parece ser extensa, ainda mais com pitadas de Gil, Caetano e do Clube da Esquina. Mesmo que a poesia rock-brasileira não seja lá a de um Chico Buarque, bem, acho que a proposta nem é essa mesmo, não é?

E onde entra o Saramago? Bem, sinto que eu mesmo me perdi um pouco... Descobri o Saramago lá na primeira metade dos anos 90, um livro (Jangada de Pedra) depois outro, depois outro... Foi overdose! A leitura de Saramago é cheia de ritmo (bem, toda leitura é, não é mesmo? Acabo de ser contrariado aqui do meu lado. Enfim...), mas ele consegue ser frenético no encadeamento de ideias e ao mesmo tempo suave na sua forma de manifestá-las. Muito difícil captar esse seu ritmo, mas muito fácil acompanhá-lo, Saramago é um músico que torna seu leitor bailarino inconsciente.

Ave José.

[M]

terça-feira, 8 de junho de 2010

LISTAS, LISTAS (...CONTINUAÇÃO)

6. O menestrel Steve Howe tocou guitarra na banda (e no gênero) que ficou conhecido pelos teclados. Mas não se engane: Steve Howe era o verdadeiro coração do Yes. De formação erudita, Steve sabia tocar violão folk, guitarra espanhola, bandolim enfim, tudo que tivesse cordas. Mas também não se acanhava de maneira nenhuma em meter a mão nas suas Gibson ou de tocar slide suavemente. Ingrediente fundamental na música do Yes, os licks de Heart of the Sunrise e Siberian Kathru não me deixam mentir.

7. Os voadores Jeff Beck e Derek Trucks. Jeff Beck começou com os Yardbirds tocando blues e rock e com a difícil missão de substituir E.C. E por ironia do destino, com ele a banda ficou ainda melhor, ele tinha uma abordagem mais agressiva e experimental. Isso já seria por si só digno de nota, mas não é tudo... Continuou na toada com Jeff Beck Group, que pode ser considerada uma das bandas precursoras do Heavy Metal. Mais um último disco (fantástico) de rock com os "Cactus" Bogart e Appice e Jeff deciciu migrar para a música instrumental numa estilo que chamaremos, na falta de nome melhor, fusion. Mais ou menos nesta época abandona de vez a palheta e passa a tocar só com os dedos, o que mudou totalmente sua abordagem do instrumento e sua musicalidade. Cause we've ended as lovers e Superstition de Stevie Wonder e a recente releitura de A day in the life dos Beatles são de tirar o fôlego. Derek Trucks é sobrinho de Butch Trucks, baterista original dos Allman Brothers Band, o que lhe confere um estranho e distante parentesco com Duanne Allman, o Sky Dog. Ainda mais quando constatado que Derek nasceu cerca de 10 anos depois de sua prematura morte. Derek toca de maneira magistral a guitarra slide, e a influência de Duanne é óbvia, mas, na minha opinião sua música é ainda melhor. Ele abusa de entretons o que confere ao som de sua banda uma certa sonoridade oriental, mesmo sem tablas, cítaras e outra peças do gênero. Songlines e Already Free, seus dois últimos álbuns são imprescindíveis (saiu um ao vivo recente agora mesmo em 2010).

8. Os artesãos Jack White e Tom Morello. Dois guitarristas pancada mesmo, Tom Morello é impressionantemente inventivo mas a música de Rage Against the Machine é difícil de escutar por mais de 10 minutos consecutivos, recomendo Audioslave, sua nova banda que é mais pop. Jack White é mais simples e faz uma mistura de punk rock com blues que dá certo. De Stijl é o melhor disco do White Stripes e sua guitarra pode ser apreciada com facilidade, enquanto que nos Raconteurs você vai escutar melhor a sua música como um todo. A trilha de James Bond-Quantum of Solace com Alicia Keys é imperdível...

9. O cavalheiro John Frusciante. O guitarrista dos Peppers é extremamente elegante e melódico e; ainda por cima, vintage. Além de alternar levadas pesadas com funks precisos é capaz de executar as mais belas baladas como Under the Bridge. Sua abordagem encaixa de maneira perfeita na música dos RHCP, no melhor exemplo de músico a serviço da música e não o oposto.

Robbie Robertson tocando uma... um... bem, deixa pra lá.

10. Os caipiras Robbie Robertson e Albert Lee. O primeiro, guitarrista da The Band e seu principal compositor. Como tal, traz outra percepção para o papel da guitarra na música: primeiro vem a composição, depois a guitarra vai colorindo o desenho que se esboça. Albert Lee já fez parte da banda de Eric Clapton (Another Ticket) mas é tocando guitarra country que ele pode ser melhor apreciado. Recomendo seu trabalho junto com os Bill Wyman's Rhythm Kings.

11. Os pioneiros Robert Johnson, Chuck Berry, Muddy Waters e John Lee Hooker. Mais pelo pioneirismo do que pelo som, eu não sou muito chegando naquelas gravações chiando a agulha com vocal de banheiro apertado, mas Robert Johnson tem um baú de composições atemporais (em especial a interpretação dos Stones para Love in Vain), Muddy Waters eletrificou o blues e também era um compositor magnífico (além de uma voz inesquecível), Chuck Berry inventou a guitarra rock e John Lee Hooker era o rei do Boogie e ninguém mais toca (ou tocou como ele).

12. Os sanchos-pança Mick Taylor e Ronnie Wood. Dom Keith Richards de la Mancha pouco seria sem seus fiéis escudeiros às avessas... Mick Taylor era discreto e sem nenhuma pressa, a conferir seus solo de slide na versão ao vivo de Love in Vain: magnífica. Com a troca deste por Ron Wood (que já tinha um trabalho fantástico como guitarrista dos Faces, escute Sweet Lady Mary por exemplo) a fronteira entre os papéis de guitarrista rítmico e solista nos Stones ficou mais difusa... Confira o álbum Some Girls, especialmente a faixa-título.

13. Os injustiçados (desta lista): o mestre do slide Duanne Allman, os heróis do metal Toni Iommi, Rtchie Blackmore e Steve Morse, o tornado texano Stevie Ray Vaughan, o bluesman com suingue B.B. King, o super-herói da velocidade Eddie Van Halen e o saudosista Brian Setzer talvez merecessem mais atenção, mas o post já vai por demais se estendendo e eu já estou de saco cheio de escrever...

14. Os Xaropes Steve Vai e Joe Satriani. Nem vou comentar. Tecnicamente os melhores da lista, nota 1.000. Musicalmente, desprezíveis.

15. Os brasileiros: Lanny Gordin, Sérgio Dias Baptista, Luis Sérgio Carlini, Pepeu Gomes, Roberto de Carvalho, Edgard Scandurra e Lucio Maia.
Lanny era o guitarrista da tropicália. Desta forma seu som ia muito além do rock e pode ser conferido nos melhores discos da época, em especial no Expresso 2222 do Gil. Sérgio dispensa maiores apresentações, guitarrista dos Mutantes e um dos motores criativos daquela que foi a melhor de todas aqui na terrinha. Dune Buggy e Cantor de Mambo são meus momentos favoritos. Pepeu guitarrista dos Novos Baianos, onde ficava escondido pode ser melhor apreciado quando a banda terminou e ele se juntou a Baby em carreira "solo a dois". Deu canja em muitos álbuns por aí, incluindo A Cor do Som, Moraes Moreira... Carlini e Roberto estão diretamente ligados à careira da rainha do rock, Rita Lee. O primeiro ajudou a mostra que ela poderia se virar, e muito bem, sem os Mutantes. Os dois primeiros álbuns dela com o Tuti-Frutti (Atrás do Porto tem uma Cidade e Fruto Proibido) estão entre o que há de melhor na discografia de rock nacional. O solo repetido de Ovelha Negra já é parte do cancioneiro nacional, exemplo da beleza das coisas simples. Roberto o marido, companheiro e multiinstrumentista que encarou o desafio de transformá-la em sucesso pop sem perder um pingo de qualidade musical. Rita Lee de '79, o homônimo de '80 (também chamado de Lança-perfume) e o disco Saúde (de '81) contém o melhor de sua produção, em especial em Bem-me-quer (de '80). Edgard, guitarrista do Ira! é o melhor guitarrista de sua geração, disparado. Pena que nem suas canções nem sua banda fosse tão boa quanto Ultraje, Titãs, Paralamas ou Barão. Dono de uma técnica única (que só conheço no violonista Canhoto da Paraíba), Edgard que é canhoto, toca numa guitarra de destro ao contrário, o que deixa as cordas mais graves em baixo e as mais agudas em cima. Não consigo nem imaginar como ele monta os acordes... Lúcio Maia (geralmente) é o contraponto melódico da Nação Zumbi, o que faz com maestria. Sem jamais se sobrepor às canções (geniais principalmente na época de Chico Science) Lúcio vai preenchendo de maneira elegante (ou agressiva) conforme a conveniência os buracos abertos pelo estraçalhar dos tambores da Nação.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Listas, listas...

É frequente, ainda mais em tempo de internet, aparecerem listas do tipo "as melhores canções pop de todos os tempos" ou "os melhores cantores do pop rock da década de 80" e por aí vai. Nenhuma destas listas merece mais do que um golpe de olho curioso, sem que se leve muito a sério. Qualquer lista dessas é subjetiva, por mais que seja um conjunto de subjetividades de vários sujeitos, tomados na média, talvez.

Enfim. Eis aqui mais uma lista para não ser levada a sério. Eu não assisti ainda ao documentário It Might Get Loud, brilhantemente comentado pelo PQ. Mas a última (se é que não é já a penúltima...) Rolling Stone traz Jimi Hendrix na capa e uma entrevista conjunta com Jeff Beck e Eric Clapton. Este post já estava na minha cabeça faz tempo. Já fermentou a ponto de estragar. A idéia e fazer uma lista com os "maiores guitarristas (de rock ou similares) de todos os tempos". Claro, é a absolutamente minha lista. Não segue nenhum critério, só mesmo o meu gosto, o que está muito longe de sê-lo...

A única diferença é que a lista vai comentada. E a ordem não indica preferência, apenas lembrança.

Hendrix e sua Flying V

1. Eric Clapton: nome óbvio quando se fala em lista de guitarristas. Mesmo quem não gosta muito, cita por respeito, para dar credibilidade à lista. Não é de maneira nenhuma meu caso. Eric Clapton é uma espécie de sidarta gautama da guitarra. Com ela empunhada, ele desaparece num estado meditativo em que a música parece soar sozinha, vinda de uma caixinha dourada com a bailarina em cima. Ele simplesmente parece que não está lá. Clapton não é um exímio compositor de canções (como muitos que aparecerão aqui), mas seus solos são exuberantes. Sem rococó nenhum, sem técnicas malucas de tapping, sem desvarios frenéticos de velocidade, E.C. toca um solo como se ele só pudesse ser tocado daquele jeito. As notas encaixam no lugar e no tempo certo, a escolha dos silêncios, dos bends, tudo acontece como se só pudesse ser assim mesmo. E mais: os solos de Clapton são melódicos e não um mero desfile de notas dentro da escala tocadas a pretexto de demonstração de destreza. While my guitar gently weeps, canção célebre do seu amigo George Harrison é a melhor descrição para a abordagem que E.C. tem da guitarra. Nada mais justo que George tenha lhe dado a oportunidade de tocar o solo nesta música...

2. Jimi Hendrix, é claro. Bem, a primeira impressão é a de que Hendrix não era de fato, deste planeta. Enquanto Clapton parece não estar presente quando toca sua guitarra, Jimi é o extremo oposto: a guitarra é que parece ausente. Aqui, a música é corporal, visceral, Hendrix é, na verdade, um bailarino. Não, não me interessa guitarra tocadas com dentes, de costas ou pegando fogo. Tampouco festivais de feedback ou solos de 10 minutos. Se fosse só isso, seria só isso. Pouco se fala mas Hendrix era, acima de tudo, um baita guitarrista rítmico. Por isso "o bailarino". Compositor de várias das mais belas canções do rock, Jimi tocava dançando e sua abordagem rítmica alterna acordes, licks, riffs... Isto é hora harmônico, hora melódico, ora é ambos. Wait Until Tomorrow é uma música sem solo de guitarra nenhum, e nem precisa, aqui ele baila entre o solo, o grupo, o músico e a canção, tudo como se fosse uma coisa única.


3. Keith Richards. "Keith Richards é tão ruim que ninguém consegue copiá-lo". Eu já li isso em algum lugar, felizmente já não me lembro onde. O final da frase é verdade, o começo é uma senhora mentira. Claro que Keef não conseguiria tocar como o medidativo Clapton ou o bailarino Hendrix, mas não importa (e eles? conseguiriam tocar como este aqui?). Tecnicamente limitado se comparado a outros é verdade, mas quem não é? (Talvez só Pelé). A sua genialidade (sim, genialidade, não estou brincando) deve-se ao fato do tanto que ele consegue fazer dentro destes limites. E não é pouco! O pirata do rock sustenta a maior banda de rock do mundo há quase 5 décadas, e é responsável direto por clássicos reconhecíveis até por um cachorro bêbado: satisfaction, jumpin jack flash, brown sugar, honky tonk women, start me up (pra ficar só no óbvio), além de licks menos famosos mas igualmente belos como em tumblin' dice e beast of burden.

4. George Harrison. Diferente dos três anteriores, Harrison não era blueseiro, nem trazia forte influência de blues. George era mais genérico, gostava de Carl Perkins, tocava um slide maravilhoso e troxe a música indiana para o rock. E não como pastiche, mas de uma maneira harmoniosa e bela. Quando os Beatles davam sinais de cansaço, ele emerge como grande compositor em something, here comes the sun e while my guitar gently weeps. E quando os Beatles abandonaram de vez o barco ele mostrou ao mundo All Things Must Pass (que deve ser o primeiro e único album triplo da história do rock) e Living in the Material World. George era o músico.

Keith Richards com seu glimmer twin

5. Os arquitetos Brian May e Jimmy Page. Os dois arquitetos do rock tem uma abordagem semelhante no estúdio, desenhando com a guitarra e seus timbres estruturas muitas vezes complexas (ou extremamente simples) dentro da música das duas maiores bandas de rock da era pós-beatles. A diferença é que enquanto Mr. Page era simplesmente o dono do Led Zeppelin, Brian aprendeu a conviver e participar de forma brilhante da música de um sujeito que era simplesmente genial. Claro que Brian May tinha também ótimas composições, mas sua guitarra pode ser melhor apreciada exatamente nas músicas de Freddie, onde ele agrega sem tirar o foco do principal, a canção. Claro também que o som dessas bandas era completamente distinto, uma só ia na boa e pavimentou a estrada do hard rock/heavy metal enquanto a outra era anárquica e esteticamente experimental. Jimmy é o arquiteto com queda pra engenheiro e Brian o arquiteto com queda para o design...

(CONTINUA...)

It Might Get Loud (de um convidado especial...)

Caros leitores deste blogue... Sinto muito pela longa ausência. Eu mesmo gostaria de estar mais postante, mas estou por demais atarefado com obrigações diárias e mundanas... Vida triste essa da gente. Primeiro o que a gente TEM QUE FAZER e só depois, se sobrar tempo, o que a gente QUER FAZER...

Idéias pintam, é claro. No banho, de noite na cama, no carro... Falta a bunda. A bunda na cadeira e os dedos ali, tlec, tlec, tlec...

Mas, enquanto seu lobo não vem, vou postar um convidado muito especial, tirado de http://penavadia.blogspot.com/. Vale a pena ler este blogue, o espectro dele é bem mais amplo que o meu, e seu último post cabe muito bem aqui. Grato ao PQ que me emprestou o texto. Chega de nhém, nhém nhém.: vamos a ele.

" 'It might get loud' é o que diz Jimmy Page – com um sorriso no rosto e um plug na mão – a certa altura do magnífico documentário de Davis Guggenheim, que se desenrola a partir do encontro de Page, The Edge e Jack White.

O encontro é supimpa, não apenas pela alta música que dele resulta, mas pelo deslavado elogio da guitarra elétrica. O documentário é uma apologia da guitarra: seus timbres, suas texturas, suas formas e, é claro, os truques em que são mestres os três mestres. Mas a apologia se transforma em verdadeiro apólogo, quando são as três guitarras que dialogam, dizendo coisas que não se pode transformar em palavras.

Linda a cena de Jack White construindo a mais precária (e portanto mais bela) das guitarras, com pouco mais que uma tosca peça de madeira, uma corda, amplificador, eletricidade e… uma garrafa de coca-cola como ponte. Difícil não ver aí uma referência à arte pop, e à possibilidade de que, das entranhas do consumo, venha a nascer um objeto único, irrepetível e irredutível ao desejo massificado. A guitarra, como a música, participa do universo do sagrado.

O documentário é também uma pequena e deliciosa aula de história: o experimentalismo com as potencialidades do rock inglês no cenário da liberação dos 60 e 70 (Yardbirds e Led Zeppelin), aquele minimalismo de acordes em que se condensa o grito pacifista a partir da Irlanda dos anos 80 (U2), e esse tal de rock’n’roll que reaparece com tudo na América, nesta turbulenta última década (The White Stripes, The Raconteurs).

É curioso que o mais novinho do bando seja o americano, e que seja ele também o mais disponível dos 3, ou pelo menos aquele que mais parece estar ainda experimentando poeticamente. Sigo pensando na maneira como White fala sobre o que significa tocar os objetos que produzem os sons. A textura, para ele, não é apenas a textura misteriosa da música. A textura da música passa antes pela descoberta da textura das coisas, e das vibrações que elas escondem. É pelas coisas que nos comunicamos com o além, com o sagrado.

Por último, o percurso entre a Inglaterra, a Irlanda e os Estados Unidos é uma poderosa viagem musical, como se auscultássemos um som virtual: aquilo que pode acontecer sempre que se dá esse raro encontro transatlântico, isto é, sempre que o rock das ilhas toma o navio de volta, atravessa o mar do Norte e vem reencontrar as suas velhas raízes, tornando-se, lá no fundo, o blues que ele nunca deixou de ser. Que o blues reapareça no fundo inescrutável da guitarra de um jovem branquelo de Detroit, de origem humilde e que talvez tenha aprendido a usar as mãos artisticamente estofando móveis antigos, é um desses mistérios fabulosos, que parecem acontecer de tempos em tempos. Com eles, renovamos nossa fé. And it might get loud."

http://penavadia.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Meninos da rua...

Terminei a leitura d'Os Meninos da Rua Paulo, de Férenc Molnar, clássico húngaro do começo do século XX (ou final do século XIX, não sei precisar e estou com preguiça de googlear e além do que: tanto faz!). Fato é que trata-se de um belo livro, originalmente escrito com intenção de literatura juvenil, mas que acabou se tornando clássico universal. Livro de leitura fácil e rápida, linguagem simples e direta, ainda que a tradução do (também) húngaro Paulo Rónai teime em criar um português razoavelmente peculiar (e gramaticalmente corretíssimo).

O livro me lembrou Londres, onde nunca estive pessoalmente, mas que na década de 60 tenho visitado com meus ouvidos já faz tanto tempo... Enquanto os meninos da rua Paulo lutam para manter seu grund, seu quartel-general, seu campo de "pela", seu espaço!, enfim; os meninos de Londres lutavam para conquistar o seu próprio espaço. Essas ruas, Londres e a rua Paulo em Budapeste, pouco são paralelas, diga-se. Talvez seja só na minha cabeça que elas assim o sejam, e ainda assim se cruzam, geometria não-euclidiana unindo literatura e rock'n'roll, bretões e magiares, pré-(primeira)guerra e pós-(segunda)guerra...

Com o quarteto de Liverpool tendo conquistado a Eurpoa a partir do desembarque em Hamburgo e, posteriormente, a América, algo que nem o bigodinho austríaco, nem o bigodão russo jamais sonharam, a porteira do mundo se abriu para os ingleses. Meu irmão diz que na cabeça dos garotos de Londres (que formariam os Stones, Who entre outros) a idéia era... "se esses caipiras (de Liverpool) podem, a gente também pode". E deve. Como uma gangue, ou várias gangues, os músicos que curtiam rock, blues e gêneros afins ajudaram os Beatles a invadir a América e conquistar o mundo.

A partir de três núcleos principais, os Stones, os Yardbirds e os Bluesbreakers de John Mayall, uns 80% do rock inglês da década de 60 se desenvolveu (deixo aí uns imprecisos 20%, me perdoem os fãs dos Animals, the Who e outros tantos...). O elemento central na movimentação da gangue londrina de rock'n'roll nos anos 60 foi Eric Clapton. Ao trocar os Yardbirds que estavam se tornando, na sua ótica, muito "comerciais" pela banda de John Mayall, houve uma intensa movimentação de personagens nessas gangues.

Clapton na época do Cream

Como n'Os Meninos da Rua Paulo, aqui eles criam sua própria história e suas próprias referências. Seu grund é fruto da vivência em grupo, um mistura de elementos que provém de seu mundo de meninos, mais do que da influência do mundo dos adultos, da escola ou da cultura acadêmica vigente. No caso dos meninos de Londres é fácil imaginar, a Europa esfacelada pela guerra, algumas crianças sem referências paternas (Lennon e Clapton por exemplo) ou maternas (Hendrix): a referência vinha de lá do atlântico, Elvis rebolando, a saga de Johnny Be Good e Muddy Waters destilando o blues...

Quando Clapton deixou os Yardbirds (em 65) ele já tinha status de deus da guitarra, isso com 20(!) anos, e a gangue tinha que se recompor, entrando em cena Jeff Beck, que embora não tenha alcançado o status de divindade de seu antecessor é um guitarrista com a mesma sensibilidade e talvez até mais criatividade (se é que isso possa ser mensurado...) que aquele. Enquanto isso, E.C. não duraria mais que as sessões de gravação de um único disco com os Bluesbreakers, juntando-se a Jack Bruce e Ginger Baker para formar uma das melhores, mais inventivas e influentes bandas dos sixties: o Cream.

Yardbirds: Da esquerda pra direita, Jeff Beck é o primeiro e Jimmy Page o penúltimo.

Jonh Mayall, que era um músico de uma década anterior aos meninos da rua rock, de repente ficou na mão, justo quando tinha entrado no jogo, ou melhor na gangue... Enquanto E.C. tentava se encontrar, Mayall chamou outro menino prodígio, Peter Green, que acabou também ficando somente um disco e quando saiu da banda fez pior: levou junto o baixista e o batera para formar o Peter Green's Fleetwood Mac... Mais uma vez na mão e desta vez trotalmente só, John foi obrigado a reformular a banda e chamou o garoto Mick Taylor para a guitarra.

Mick Taylor (esquerda) no backstage do aniversário de 70 anos de John Mayall (direita).

Do outro lado da rua, uma banda chamada Small Faces começava a chamar a atenção. Já era a segunda leva de bandas inglesas e não era mais assim tão fácil conquistar a América que começava a criar seu próprios heróis. Os carinhas dessa gangue liderados pelo cantor e guitarrista Steve Marriott se deram bem entre os ingleses, principalmente na era da psicodelia, quando lançaram sua obra-prima Ogden's Nut Gone Flake. Enquanto isso, Beck saía dos Yardbirds para montar o Jeff Beck Group com os desconhecidos Rod Stewart (vocal) e Ron Wood (baixo), e Brian Jones estava prester a ser demitido dos Stones por abuso de drogas: como na rua Paulo, os meninos de Londres tinham suas próprias regras e isso incluía punições a sócios que pisassem na bola chegando até a expulsões...

A saída de Jeff Beck desmontou os Yardbirds, mesmo que eles ainda contassem com outro guitarrista prodígio, o menino Jimmy Page, que tentou criar uma nova versão da banda, chamando o cantor e guitarrista Terry Reid para formar os New Yardbirds, convite este que foi recusado, o que poderia ser uma tragédia (pois Terry era muito bom). Mas como nos bons romances, as piores situações originam as mais engenhosas soluções e isso obrigou Jimmy a abandonar esta idéia e abraçar um novo projeto, o Led Zeppelin. O Group de Jeff Beck não durou muito e enquanto Steve Marriott deixava os Small Faces para formar com o garoto Peter Frampton a gangue chamada Humble Pie, os membros restantes chamaram Rod Stewart e Ron Wood (que assumiu a guitarra!) pra fazer o seu papel na banda que foi rebatizada simplesmente como Faces.

Ron Wood e Rod Stewart: The Faces.

Com a demissão do sócio-fundador Brian, os Stones tentaram entrar na onda do guitar rock, numa época em que solos mirabolantes e lendas vivas da guitarra davam as cartas, sem abandonar totalmente suas raízes, chamando o tímido Mick Taylor pra seu lugar (que não seria capaz de ofuscar, pessoalmente, ainda que musicalmente poderia, Keith Richards), deixando, mais uma vez, John Mayall na mão (o que não era um problema para este músico que aprendeu a se reinventar, jamais foi mainstream, e se aproveitou do fato de ser meio cult já nos anos 60...).

Os Meninos da Rua Paulo poderia terminar no seu ponto culminante, com a vitória sobre os camisas vermelhas mas "a vida é real de viés" e toda batalha tem seus heróis de guerra, alguns deles mortos em combate. Boka, Kólnay, Csonakós, Géreb. Jagger, Richards, Clapton, Page, Beck... Os meninos sobreviventes prestam homenagem aos seus heróis: Brian Jones e Jimi Hendrix. Como Géreb que motivado por um crise de ciúmes pela liderança crescente de Boka, torna-se traidor de sua gangue e informante dos camisas vermelhas, Brian Jones não suporta a badalação em torno da dupla Jagger e Richards, trocando a gangue pelas drogas. Como Nemecsék, o único soldado raso de um exército formado exclusivamente por capitães e generais, Hendrix desembarca da América pronto para reconquistar seu país (que o exilou) a partir da gangue de Londres. Os dois conquistam seu lugar na história a partir de sua bravura e seu talento. Os dois caem heroicamente em combate no melhor exemplo de dedicação às gangues das quais faziam parte...

E as histórias dos meninos das ruas Paulo, dos meninos de Londres, teimam em se repetir. De maneira universal. E de maneira única.

[M]


ps: no caso dos meninos de Londres, um capítulo extra. Meados da década de 70, Mick Taylor (ex John Mayall) deixa os Stones e no seu lugar entre Ronnie Wood (Ex-Faces e Jeff Beck Group, portanto com um pitadinha dos Small de Steve Marriott e dos Yardbirds de Beck, Clapton e Page...), unindo a trajetórias de todas essas gangues...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Cordas, caixas e bobinas: som

Desde a invenção dos primeiros instrumentos a que se costumou chamar guitarra, num longínquo século XVI, uma das maiores preocupações dos artesãos que construíam estes instrumentos era amplificar o som. Os instrumentos de cordas produzem sons devido à vibração destas, e uma corda vibrando costuma produzir um som de pequeno volume, ao contrário por exemplo de uma membrana (de um tambor) vibrando. Desta forma, a música que vem de um intrumento de corda é melhor ouvida se este intrumento dispõe de algum dispositivo para amplificar o som produzido pela sua vibração.

Nada mais simples que imitar a natureza, se a voz humana, produto das vibrações das cordas vocais, pode ser ouvida graças à amplificação produzida pela caixa torácica, a guitarra dos séculos XVI e XVII acoplava ao conjunto de cordas uma caixa de ressonância que tinha exatamente este objetivo. E esta invenção, cordas e caixa de ressonância persiste no que chamamos de violão até hoje. Antonio de Torres, um sevilhano do início do Século XIX estabeleceu o desenho e a estrutura daquilo que conhecemos hoje como violão clássico (ou espanhol, ou flamenco). O desenho da caixa e toda a estrutura interna, com diversos filetes de madeira que conferem apoio ao tampo da caixa e seus nuances foram pensados com um só objetivo: amplificar o som produzido pela vibração das cordas.


O violão folk, ou violão americano tem como diferenças básicas as cordas de aço (ao invés das de náilon) e um desenho mais bojudo, gorducho na parte de trás e reto, não tem a forma suave e feminina do violão de Torres, seu desenho é feito para ressaltar os graves, ainda que o uso das cordas de aço confiram um timbre mais estridente aos tons agudos.


Tanto numa forma quanto noutra, o instrumenento parecia destinado a soar sozinho ou com companhia muito seleta, voz, percussão suave ou qualquer coisa pouco barulhenta, por um motivo simples: seu som é baixo e fica difícil ouvir um violão numa orquestra (Rodrigo com seu Concierto de Aranjuez foi teimoso e conseguiu um resultado magnífico). E aqui então entra em cena o elemento fundamental na história do rock e por conseguinte na história de toda a música popular produzida na segunda métade do século XX: o captador magnético.

Antes de sua invenção, um dispositivo engenhoso de amplificação do som de uma guitarra (acústica, totalmente) foi concebido para as chamadas guitarras ressonantes, das quais a National Guitar e a Dobro (Dopyera Brothers) são as mais conhecidas. A National Guitar é um violão feito de aço enquanto que o Dobro é de madeira com uma peça central metálica sobre o topo da caixa. O princípio de funcionamento das duas é o mesmo: a vibração das cordas é transmitida pela ponte a um cone interno de metal (ver figura abaixo, sem a tampa nem as cordas) que funciona como um alto-falante, amplificando o som. O disco dos Dire Straits de '86 popularizou sua imagem, ainda que não tenha popularizado seu som, infelizmente.

Este tipo de instrumento tem um parente brasileiro que é a chamada viola dinâmica. Este instrumento, ao contrário da National/Dobro tem 10 cordas (5 pares de cordas oitavadas) como uma viola caipira e é típica dos cantadores de rua nordestinos. Helena Meirelles, a falecida violeira do Pantanal costumava tocar uma destas (foto abaixo).


Entretanto havia um clamor dos músicos por um instrumento de cordas que pudesse competir em volume com os instrumentos de sopro, típicos de qualquer banda de jazz e aí, não havia sistema de ressonância que desse conta: o processo de amplificação do som originado das cordas vibrando tinha que passar por outro canal...

ELETRICIDADE!... Como a voz humana pode ser amplificada usando-se um microfone acoplado a um amplificador, o de um violão também poderia... O uso do microfone no caso do violão limitava um pouco (muito!) a movimentação do músico e assim nasceu o captador. O captador é um conjunto de imãs (um para cada corda do instrumento) imantados por uma bobina. A idéia de seu funcionamento é simples: esses imãs geram, cada um, um campo magnético. A corda vibrando distorce o campo magnético gerado pelo seu imã correspondente, e assim o som está "captado", sendo desta forma transmitido elétricamente para o amplificador, e aí meu caro, quem manda é o botãzinho: pimba! entra em cena (na década de 30) a guitarra elétrica!

As primeiras guitarras elétricas eram do modelo havaiano, o que hoje é conhecido como lap steel e é tocada deitada sobre o colo com a mão que normalmente executa os acordes (a esquerda para os destros) segurando uma barra metálica que faz deslizar suavemente sobre as cordas enquanto a outra mão dedilha as cordas. A Rickenbacker Frying Pan é conhecida como a primeira guitarra elétrica construída. Curiosamente o modelo havaiano foi muito popular nos Estados Unidos nesta época, mais do que a guitarra que conhecemos hoje.

No princípio as guitarras elétricas eram pouco mais que um violão equipados com um captador elétrico, mas foram evoluindo ao longo dos anos e ao guitarrista Les Paul é creditada a invenção da guitarra de corpo sólido, uma vez que esta era, até então, um misto de acústica com elétrica, e a idéia de Les Paul era criar uma guitarra que fosse estritamente elétrica, sem caixa de ressonância nenhuma. Ele levou (em 1941) o protótipo chamado "Log" para a Gibson, que já era nessa época mega-fabricante de violões e guitarras.


Por incrível que pareça, a Gibson não se interessou! E se hoje já estamos carecas de ver o modelo Gibson Les Paul (cráááássssssico!, acima) isso deve-se a um conjunto inusitado de fatores. Em 1947, um músico de country chamado Merle Travis encomendou ao luthier Paul Bigsby uma guitarra de corpo sólido e em 1950 um técnico em eletrônica que consertava rádios chamado Leo Fender aliado ao projetista George Fullerton estabelecem outro marco na história da guitarra: a produção em série (até então as guitarras eram produzidas artesanalmente). Nascia a Fender Broadcaster (hoje conhecida como Telecaster, a guitarra mais linda do planeta em todos os tempos, penso eu, confira abaixo) e uma das marcas mais famosas do mundo ao lado da Gibson (que depois dessa, saiu correndo atrás de Les Paul e tratou de industrializar o modelo clássico que leva seu nome até hoje).


Daí pra frente o rock se esbaldou e a música do século XX nunca mais foi a mesma. O formato básico baixo, guitarra e bateria foi abraçado pelos jovens dos anos 50, levado em frente nos anos 60 e está aí até hoje.

Graças à eletricidade.
[M]